sexta-feira, outubro 21, 2005

Leito

Mesmo deitado nessa cama estreita vejo a tinta velha que escorreu até o primeiro azulejo. Nem é preciso me levantar para notar o desleixo na pintura, a camada de poeira que se acumula no desnível da parede. O estrado de metal range ao mísero movimento meu, acompanhando minha respiração ofegante. Esse cheiro de urina e comida barata que entra às lufadas e me sufoca as narinas.

De onde vem essa luminosidade toda, que ainda assim me deixa na penumbra da tarde vazia, eu encostado na parede fria e mal pintada? Grosseiramente pintada, isso me incomoda tanto. E essas pessoas que trajam jalecos azuis rotos e esmaecidos pelo sabão vagabundo. Cismam em me olhar, como se eu fosse um louco. Ora, loucos são os donos dessas gargantas que rasgam impropérios no ar quente deste salão.

4 Comments:

At 4:51 PM, Anonymous K, Carola, Carol ! said...

Para tanta beleza, profundidade, criatividade e... nem sei mais. Gostaria de saber de onde vêm tanta inspiração!

 
At 9:26 AM, Anonymous Anônimo said...

Thank you!
[url=http://cukftlgx.com/ekha/cfua.html]My homepage[/url] | [url=http://dfbkobrc.com/aovv/bxnu.html]Cool site[/url]

 
At 9:26 AM, Anonymous Anônimo said...

Well done!
My homepage | Please visit

 
At 9:26 AM, Anonymous Anônimo said...

Good design!
http://cukftlgx.com/ekha/cfua.html | http://lfmvgdfy.com/oqom/bdvr.html

 

Postar um comentário

<< Home