segunda-feira, agosto 29, 2005

Bar da rampa

À beira do pier que avança por cima da baía de Guanabara, observo o pequeno gato preto acompanhar atento aos movimentos do pescador neste quase frio final de sexta-feira. Ao contrário do felino, o homem não tem pressa, embora ambos, às suas maneiras, sejam persistentes.

Bem ao longe, à minha esquerda, os carros contornam a praia de Botafogo até sumirem no Aterro do Flamengo. Mais distantes, projetam-se os prédios da orla de Icaraí, enquanto que, no meio disso, de tempos em tempos, um avião arremete-se vertical, ultrapassando as rochas do Pão de Açúcar, que completam meu horizonte, à direita.

Os barcos, botes e lanchas vagueiam serenos no espelho d'água onde o pescador mergulha sua isca, acalentados pelo calmo som das marolas contra os cascos brancos. Não há urgência. Arrisco dizer que se há tempo, é tão somente para permitir que o sol possa deitar-se por trás do Corcovado que abençoa essa cena.

Vejo então a vara de pescar vergar em curtas fisgadas. O gato pressente o lanche iminente no mesmo momento em que eu redescubro a paz.

3 Comments:

At 11:02 AM, Blogger rmussilac said...

Serei eu, algum dia abençoada com pier sobre essa baía?

Parabéns pela semíotica.

 
At 1:25 PM, Anonymous Anônimo said...

Essa nossa semana foi tão pesada que ao chegar em casa, nesse mesmo dia, senti como se estivesse sendo abraçada quando abri a porta. Enfim um porto seguro!

 
At 5:00 AM, Anonymous ana maria said...

Queria estar la e ver as coisas como vc vê.bjo

 

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